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Quarentena: mais importante que o peso, é saber se sairá vivo e equilibrado

“Pessoal, vamos combinar uma coisa. Depois da quarentena é proibido falar: nossa, como você engordou”, Imagens da Barbie magra no primeiro dia do isolamento social e dela com alguns quilos a mais após o fim da quarentena: Esses e outros memes mostram o quanto as pessoas estão preocupadas em engordar neste período. Mas, afinal, vale a pena se preocupar se vai sair da pandemia mais gordo (a)?

A verdade é que durante períodos difíceis como o que estamos vivendo é natural que todos os medos fiquem mais acentuados do que o normal. É o que explica a psicóloga e psicanalista Natalie Faraggi.

“Normalmente quem está com medo de engordar, já tinha um certo receio com relação ao corpo e o confinamento amplia os nossos medos e questões. O isolamento por si só pode ser um gatilho para situações conflituosas com corpo, com comida, questões financeiras, relações sociais”, diz.

Para a Vania Calazans, psicóloga clínica com experiência em emagrecimento saudável, o receio de engordar nesse período está correlacionado com a crença de que descontamos as nossas frustrações na alimentação e do prazer que comer nos traz.

“A comida está sempre sendo tratada como um pecado e temos que controlar o que comemos pelos outros. Para ter o corpo que a sociedade diz que é o saudável, que é o magro. Mas atualmente estamos vivendo como em um filme de ficção cientifica cheios de medo e ansiedade e o primeiro recurso que temos para aliviar esses sentimentos é a comida, que traz um prazer imediato”, afirma.

E, normalmente, a escolha desses alimentos também não tem sido feita de maneira consciente. Natalie explica que o estresse prolongado aumenta os níveis de cortisol – hormônio do estresse – no corpo. “Por isso, as pessoas têm tendência a buscar alimentos que tragam sensação de conforto emocional, como os mais concentrados em açúcar e gordura, que são mais viciantes. O estresse alto também vai impactar no sono e na vontade de praticar atividade física”, fala.

O foco do momento deveria ser emagrecer mesmo?

Como nos períodos de isolamento há uma tendência a aumentar a ansiedade e depressão, Vania acredita que não vale a pena se preocupar com o peso que terá no pós-pandemia.

Natalie concorda e acredita que é importante não idealizar o confinamento. Afinal, trazer mais pressão do que as que já estamos vivendo não contribui em nada. “Não é momento de trazer mais pressão idealizando a quarentena como o momento para emagrecer, mudar toda sua alimentação e etc. Há quem encare o isolamento como oportunidade para fazer aquilo que nunca conseguiram, mas a realidade é que é difícil fazer uma grande mudança de vida em um período desse”, avalia.

Reconhecer que é preciso não se cobrar tanto, no entanto, não dá passe livre para comer tudo o que quiser e não se preocupar com a alimentação. Afinal, a obesidade, que é classificada quando o paciente tem IMC acima de 30, é considerada um fator de risco para o coronavírus.

“Estudos recentes mostraram essa correlação. Os pacientes com obesidade têm alterações metabólicas e aumento na resistência à insulina. Essas mudanças provocam imunossupressão e também geram uma inflamação no organismo, diminuindo a imunidade e aumentando o risco de ser infectado pelo COVID-19. Fora as dificuldades no manejo do tratamento, que também podem ser impactados pelo excesso de peso”, afirma Maria Fernanda Barca, doutora em Endocrinologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Memes gordofóbicos

Na opinião de Vania, as piadas gordofóbicas que são facilmente encontradas nas redes sociais são uma forma das pessoas “tirarem sarro de si mesmas antes dos demais”.

“As pessoas estão preocupadas por estarem comendo em excesso e pouco preocupadas com a qualidade dos alimentos. Mas uma hora elas voltarão para a vida normal e lá fora o social é cruel e implacável. Por isso, elas ‘brincam’ com isso. Como uma forma de se justificar para as pessoas de que elas vão sair diferentes dessa pandemia”, afirma Vania.

No entanto, por mais que as piadas pareçam inofensivas, Natalie destaca que elas podem ser prejudiciais, especialmente em um momento difícil como o do isolamento. “As piadas são ferramentas importantes para aliviar o estresse, mas é preciso tomar cuidado com o conteúdo, pois alguns podem ser gatilhos emocionais e encontrar esses conteúdos nas redes pode piorar a condição dessas pessoas. Por isso, é preciso ter empatia para, antes de publicar, pensar se quem sofre com aquela questão não ficará ainda pior de ler/ouvir isso na quarentena, onde muitos estão sozinhos e fragilizados”, fala.

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