PERGUNTAS FREQUENTES

TIREOIDE

1 – Estou engordando. É a tireoide?
Apenas 2% dos casos de aumento de peso estão relacionados com alguma disfunção tireoidiana. Normalmente há um hipotireoidismo (a tireoide funciona menos do que deveria), o que causa lentidão do metabolismo, retenção de líquido e inchaço. Porém o ganho de peso costuma ser baixo e é eliminado com uso de medicamentos.

2 – Tenho um nódulo. É necessário operar?
Nódulos e cistos são muito mais comuns do que se imagina e, em sua maioria, benignos. Com a inclusão dos exames de ultra-sonografia da tireoide na lista de testes para controle anual da saúde, eles têm sido diagnosticados em maior quantidade. Os aparelhos de ultra-sonografia permitem detectar cistos muito pequenos, de cerca de 3 milímetros de diâmetro! Estes, em geral, podem ser deixados de lado se não estiverem em alguma região da tireoide considerada preocupante.

3 – Como saber se o nódulo é cancerígeno?
Só depois de passar por essa etapa é que se começa a pensar em cirurgia. Também é bom saber que nem sempre a tireoide é retirada. Isso depende do resultado da biópsia, que pode ser feita com a paciente ainda no centro cirúrgico. Se a análise mostrar que o nódulo é benigno, existe a opção de retirar apenas parte da glândula e preservar o restante. No Brasil, infelizmente, a maioria das cirurgias de remoção parcial ou total da tireoide é feita sem necessidade.

4 – Se eu retirar a tireoide, será necessário tomar remédio para sempre?
Sim. As pessoas que apresentaram nódulos malignos e retiraram a glândula tireoide precisam fazer reposição do hormônio tiroidiano, a tiroxina, diariamente por toda vida. Já pacientes que tiraram apenas parte da glândula podem fazer uso de doses menores.

5 – Os problemas da tireoide são hereditários?
Nos casos de tireoidite de Hashimoto, em que o sistema de defesa do organismo ataca a tireoide causando uma inflamação crônica, há uma forte influência dos fatores genéticos e hereditários. Os estudos mostram que é comum encontrar famílias em que três gerações – a mãe, filhas e netas apresentam a alteração por carregarem a mesma herança genética. Hipertireoidismo e hipotireoidismo também sofrem influência de fatores hereditários.

6 – Sinto um cansaço imenso. Pode ter alguma relação com a tireoide?
O cansaço é um dos sinais de alerta do hipotireoidismo, o funcionamento tireoidiano abaixo do esperado. A irritação e a dificuldade de se concentrar também estão entre os sintomas mais populares. O problema é que muitas vezes essas sensações são atribuídas à correria da vida e por isso os problemas seguem sem diagnóstico. Outra situação comum é a associação entre as disfunções da tireoide e depressão. Estudos tem mostrado que a baixa produção de hormônios tireoideos também interfere na concentração e a capacidade cognitiva.

7 – Meu cabelo está caindo. Pode ser a tireoide?
Pode. A queda de cabelo é mais um dos sintomas das alterações de tireoide. Mas existem dezenas de outras causas.

8 – Há risco de infertilidade?
As doenças da tireoide sem tratamento podem levar a problemas de fertilidade em ambos os sexos. As pacientes que apresentam deficiência grave da tireoide têm menor chance de engravidar ou de manter a gravidez. Estudos mostram que 2,3% das mulheres com mais de um ano de infertilidade têm hipotireoidismo. Já 69% das pacientes sofrem de disfunção ovulatória. A boa notícia é que 64% engravidam após receberem o controle adequado. Caso a mulher já tenha sido diagnosticada de hipotireoidismo e a doença esteja sob controle, as chances de engravidar e ter uma gestação saudável são iguais às de uma mulher saudável. Os problemas de tireoide também podem reduzir a libido.

9 – Nos homens, a desregulação da tireoide pode levar à impotência?
Estudos mostram que o hipotireoidismo pode afetar negativamente a libido, levar à impotência e reduzir a quantidade de espermatozoides.

10 – Qual é o exame mais indicado para detectar alterações na tireoide?
O teste mais recomendável para avaliar o funcionamento da sua tireoide é a dosagem de TSH (hormônio estimulante da tireoide). Ele mede a quantidade circulante no sangue do hormônio estimulador da tireoide e a dosagem de T4 livre. Muitas vezes os médicos também pedem um exame para avaliar os anticorpos anti-tireoidianos, para avaliar se existe alguma chance de a pessoa manifestar a tireoidite de Hashimoto, uma das alterações mais comuns da tireoide.

11 – As alterações de tireoide na gravidez interferem na saúde do feto?
A regulagem dos hormônios tireoideanos da mãe é essencial ao desenvolvimento do bebê. Nas primeiras 12 semanas, a presença de alterações da tireoide pode interferir na formação de órgãos como o cérebro. Uma das conseqüências pode ser o nascimento de uma criança sem atividade tireoidiana (hipotireoidismo congênito), o que leva a deficiências cognitivas, como o retardo mental, problemas neurológicos e de desenvolvimento. Uma outra reação comum ao organismo das gestantes à baixa atividade tireoidiana é o parto prematuro. Por isso, é absolutamente necessário monitorar os níveis dos hormônios tireoidianos nas gestantes.

12 – Após o parto a tireoide volta ao normal?
Nem sempre. O pós-parto é um período em que o sistema imunológico tenta se recuperar da redução de sua atividade sofrida durante a gestação (para que não ocorra uma rejeição do bebê). Por volta do quinto ou sexto meses após o parto, a mulher experimenta um pico de anticorpos; entre eles, alguns contra a tireoide. Na verdade, todas as doenças autoimunes pioram no pós-parto, como o reumatismo, a diabetes tipo 1, o vitiligo e a artrite. Caso as alterações se apresentem no pós-parto, há risco mais elevado de vir a ter problemas como a depressão pós-parto.

13 – Na menopausa, eleva-se o risco de apresentar problemas de tireoide?
Sim. A incidência das tireoidites é maior entre as mulheres e aumenta com a idade. Portanto, as alterações de tireoide se tornam mais comum após a menopausa. Acima dos 35 anos, a proporção é de cinco a sete mulheres para cada homem com problemas.

OBESIDADE

1 – O excesso de peso pode ser visto como doença crônica e deve tratado pelo resto da vida?
Em geral, podemos entender a obesidade como uma condição crônica que precisa ser controlada. Essa abordagem mais recente ajuda a compreender a necessidade de fazer ajustes permanentes nos hábitos alimentares e de vida para eliminar o excesso de peso e impedi-lo de voltar.

2 – Como saber se a causa do ganho de peso é causada por alguma alteração hormonal?
Menos de 2% dos casos de obesidade podem ser atribuídos a alterações hormonais. O distúrbio metabólico mais frequentemente associado ao ganho de peso é o hipotireoidismo, caracterizado pela baixa atividade da glândula tireoide, que entre diversas funções regula a queima de calorias. É importante lembrar que o uso inadvertido de fórmulas contendo hormônios tireoideanos para emagrecer pode conduzir à desregulação da glândula.

3 – Tirar os carboidratos do prato para emagrecer pode ser prejudicial à saúde?
As tendência é que as dietas restritivas sejam abandonadas rapidamente. Assim, a rápida perda de peso obtida com esse padrão alimentar pode ser compensada pela recuperação igualmente veloz quando o nutriente ou alimento voltar ao cardápio, a exemplo do pão. O melhor caminho é manter uma dieta balanceada e regular.

4 – A restrição pode disparar episódios de compulsão?
Sim, porque muitas vezes a restrição leva a dietas desbalanceadas. Quando isso ocorre, as pessoas ficam longo tempo em jejum. Isso pode provocar a hipoglicemia (queda da taxa de açúcar no sangue) e conduzir à fome de carboidratos. Eles são o nutriente que o organismo transforma mais rapidamente na energia de que necessita.

5 – Quando se deve pensar em fazer uma cirurgia bariátrica?
A indicação é para os grandes obesos que não tiveram sucesso com os tratamentos clínicos e estejam dispostos a mudar o estilo de vida. Deve ser precedida por atendimento psicológico para verificar, por exemplo, se há necessidade de medicamentos para controlar a ansiedade ou a depressão.
Atualmente, já são feitas cirurgias metabólicas em pessoas com índice de massa corpórea menor que tenham diabetes e /ou uma co-morbidade como hipertensão.

6 – Perder peso devagar é mais eficaz do que emagrecer rapidamente?
A perda de peso gradual permite ao indivíduo se adaptar ao novo padrão alimentar e inseri-lo de forma permanente à sua vida. Já o emagrecimento acelerado de grande quantidade de peso pode causar efeitos como a flacidez e a carência de nutrientes específicos.

7 – Comer mais frutas ajuda a emagrecer?
Certamente a ingestão de boa quantidade de fibras é recomendável para ajustar a alimentação e facilitar a eliminação, mas deve-se evitar armadilhas. Uma delas é o consumo de sucos de frutas pois contém muito açúcar, como a laranja ou a água de coco. Portanto, é um erro pensar que aumentar o consumo de frutas pode levar ao emagrecimento, pois isso está relacionado com o teor de açúcar desses alimentos. Quanto maior o índice glicêmico do alimento, maior a liberação do hormônio insulina e maior a hipoglicemia (distúrbio provocado pela diminuição da quantidade de glicose no sangue, que pode afetar pessoas portadoras ou não de diabetes) se a pessoa não ingere proteínas junto.

8 – As dietas baseadas em refeições prontas são mais eficientes?
Sim. Elas ajudam a limitar as escolhas e a evitar os erros relacionados à quantidade.

9 – Comer antes de fazer compras no supermercado ajuda a selecionar alimentos menos calóricos?
Até mesmo pequenos períodos sem se alimentar podem facilitar escolhas nas quais são privilegiados os alimentos mais calóricos em detrimento dos mais saudáveis. Por isso não é recomendável pular refeições.

10 – O humor interfere na dieta?
Em geral, quando a pessoa se sente ansiosa ou triste, pode haver uma busca por alimentos mais ricos em carboidratos, como os doces e massas. Eles fornecem nutrientes de rápida absorção que ajudam a elevar os níveis de serotonina, substância associada ao bem-estar e que atua na troca de mensagens químicas entre as células nervosas. Mas também existem as pessoas que, sob essas condições, evitam comer.

DIABETES

1 – O que é a diabetes?
Doença metabólica que advém da diminuição ou falta de insulina fabricada pelo corpo, mas pode também estar relacionada com a sua baixa eficácia. Trata-se de um hormônio que faz com que músculos e outros tecidos absorvam a glicose (açúcar) do sangue. Se atingir níveis elevados, a glicose leva a graves complicações, como problemas cardiovasculares.

2 – Quais são as diferenças entre os tipos de diabetes?
Até agora, foram identificados os seguintes tipos: a diabetes tipo 1, tipo 2, a forma gestacional, a forma relacionada a defeitos genéticos da célula produtora de insulina (as células beta) e defeitos genéticos na ação da insulina. Há também a diabetes induzida por medicamentos, associada a síndromes genéticas, doenças do pâncreas exócrino (participa da digestão).

2 – Quais são as causas da diabetes tipo 1 e tipo 2, as mais conhecidas?
A primeira surge por causa de uma reação auto-imune. Quando ela ocorre, o sistema de defesa do organismo ataca as células que secretam o hormônio insulina. Por isso, elas passam a produzir uma quantidade menor de insulina, uma versão menos eficiente do hormônio ou cessam a produção. Em geral, esse tipo de diabetes atinge crianças e adultos jovens, mas pode aparecer em qualquer idade. A diabetes tipo 2 é a mais comum e corresponde a até 95% dos casos. Ela acomete com mais frequência pessoas acima de 45 anos com excesso de peso, mas seu grande aumento entre entre os jovens em consequência da obesidade é uma preocupação mundial.

3 – O que é a diabetes tipo Mody?
Significa Maturity-Onset Diabetes of the Young. O nome se refere a um subtipo da diabetes caracterizado por alterações genéticas hereditárias (até a terceira geração) e manifestação precoce, em geral abaixo dos 25 anos. Cerca de 10% dos diabéticos tipo 1 e 5% das pessoas diagnosticadas com o tipo 2 têm, na verdade, o subtipo Mody. Como os portadores dessa variação podem não apresentar resistência ao hormônio insulina ou anticorpos contra as células beta, o que é comum nos outros casos, o diagnóstico do Mody se confirma por meio de exame genético que revela a presença de uma disfunção na célula beta do pâncreas, onde o hormônio é produzido.

4 – Quais são os primeiros sinais da doença?
Quem está com alterações na quantidade de glicose circulante no sangue pode apresentar muita sede, poliúria (urina abundantemente), perda de peso ainda que mantenha os mesmos hábitos alimentares, fome excessiva, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou nas mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, cansaço acima do normal e dores nas pernas. Pode haver também sintomas vagos, como formigamento nas mãos e pés. Mas de modo geral a diabetes não produz sintomas até que se agrave.

5 – O que é hipoglicemia?
A glicemia é a medida da taxa de açúcar (leia-se energia) no sangue. Quando a glicemia está a menos de 70 mg/dl(miligramas por decilitro de sangue), podem ocorrer reações como sensação de cansaço muito grande, fraqueza, fome aguda, dificuldade de raciocinar, grande sudorese, tremores finos nas extremidades, sonolência, visão dupla e confusão. Se o caso for muito grave, há risco de perder da consciência. As causas mais comuns são passar muito tempo em jejum, fazer grandes esforços físicos e tomar insulina em excesso.

6 – O que é hiperglicemia?
Corresponde ao aumento da glicose no sangue. É detectado em pessoas com valores iguais ou acima de 125mg/dl em jejum, com sintomas de diabetes ou se a hemoglobina glicada (exame que reflete a média do açúcar no sangue de três meses) é maior ou igual a 6,5%. O problema também pode ser confirmado por outro teste que mede a tolerância à glicose oral. Há hiperglicemia quando o valor for igual ou maior do que 200 mg/dl nas duas horas seguintes à ingestão de glicose. Atualmente, dizemos que a pessoa está prestes a se tornar diabética quando os exames revelam uma alta da taxa de açúcar no sangue entre 99 e 125 mg/dl na glicemia de jejum ou está acima de 5,6% e menor que 6,4% no exame de hemoglobina glicada.

7 – Quais são os riscos de uma diabetes não controlada?
Quando a doença não é diagnosticada, a glicose fica fora dos níveis adequados e pode provocar inúmeros malefícios. Entre eles, leva à a degeneração dos canais pelos quais o sangue circula no organismo e à formação das placas de ateroma que participam do infarto e ao derrame cerebral. Como prejudica a circulação, pode levar à cegueira, amputação dos membros inferiores e dificuldade de cicatrização de feridas, entre muitas outras conseqüências. A impotência sexual é mais uma das complicações possíveis. O melhor caminho é se prevenir.

8 – Como é feito o diagnóstico?
Primeiramente, pelos sintomas. Depois, por suspeita do médico em função de quadros como obesidade, medida da cintura, colesterol elevado e hipertensão arterial. Se a pessoa manifestar três desses fatores, está com Síndrome Metabólica e certamente tem riscos ainda maiores de diabetes. Se houver casos na família, deve-se controlar a glicose rotineiramente como forma de prevenção. Os exames podem ser feitos na rede pública ou particular.

9 – Como é o tratamento?
Diabetes é uma doença crônica e precisa ser gerenciada, o que é feito com remédios, monitoramento das taxas de glicose e hemoglobina glicada, controle da ingestão de carboidratos e exercício. A rede pública disponibiliza as insulina humana NPH/100 UI e os medicamentos metformina e glibenclamida. Existem também medicamentos mais recentes que agem por mecanismos diferenciados. São remédios que controlam a doença, ajudam a perder peso e ainda contribuem para baixar a pressão arterial.

10 – A forma de aplicar insulina pode prejudicar o controle da doença?
Existem muitos erros na manipulação da insulina feitos pelo paciente por falta de informação que interferem seriamente no controle e podem levar a complicações indesejáveis. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) feita com 120 diabéticos mostrou que 50% dos adultos e 60% das pessoas abaixo de 18 anos usuários de insulina aplicam doses erradas do remédio. Os erros são mais numerosos quando se usa as seringas maiores, de 100 U, pois nelas cada marca vale por duas unidades. Nas seringas de 30U e 50U, cada marca vale uma unidade só, o que facilita o controle. Além disso, muita gente pensa que a insulina só pode ser aplicada na barriga. É um equívoco, porque ela também pode ser aplicada nos braços, pernas e nádegas. Aliás, quem toma insulina deve se informar sobre o modo certo de alternar os pontos de aplicação.

VITAMINA D

1 – Quais são as descobertas mais recentes sobre a vitamina D?
Uma ampla revisão de estudos científicos feita pela Sociedade Americana de Endocrinologia revelou que a vitamina D age no coração, no cérebro, nos músculos e nos mecanismos de proliferação e inibição de células, entre outros sistemas do corpo. Trabalhos mais recentes também mostraram que níveis baixos de vitamina D no organismo estão relacionados ao surgimento de um problema chamado resistência à insulina. Melhor prevenir.

2 – Existe uma epidemia de falta de vitamina D?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, metade da população mundial possui menos vitamina D no corpo do que precisa. Há insuficiência quando o exame de sangue revela uma concentração menor do que 30 ng/ml (nanogramas por mililitros de sangue). Para a Sociedade Americana de Endocrinologia, no entanto, o patamar mínimo de vitamina D no sangue deve ser de 50 ng/ml. Valores abaixo de 10 ng/ml são classificados como insuficiência grave.

3 – Como se explica o grande número de pessoas com carência do nutriente?
Uma das principais causas é a pouca exposição ao sol, bastante comum na atualidade. Na cidade de São Paulo, por exemplo, estudos mostram que 76,5% dos moradores têm deficit da vitamina durante o inverno.

4 – Quais são os fatores de risco para a deficiência de vitamina D?
Idade avançada, sobrepeso, pele escura (a melanina reduz a absorção dos raios solares necessários à fabricação do composto) e trabalhar em ambientes isolados da luz do sol.

5 – Quais são os sinais de alerta da falta da vitamina D?
Ganho de peso, falta de apetite, perda óssea acentuada, cansaço, nervosismo, hipertensão arterial, raquitismo. Nas gestantes, os sinais da cariencia podem surgir na forma de pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Além disso, o bebê pode apresentar falta de crescimento intra-útero.

6 – Qual é a quantidade de sol necessária para o organismo fabricar vitamina D?
Para que ocorra a síntese da vitamina D no organismo, a recomendação é que a pessoa exponha partes do corpo (braços e pernas, por exemplo) entre 20 e 30 minutos ao sol diariamente, sem filtro solar. Outra forma é expor 15% da superfície da pele (equivale aos dois braços) pelo menos três vezes por semana com filtro solar. Deve-se ainda fazer uso de suplementos conforme a necessidade individual.

7 – Existe consenso entre os médicos sobre o uso de filtro solar por causa da vitamina D?
Não. Essa é uma polêmica ainda sem solução entre médicos de especialidades diferentes. Há endocrinologistas que defendem a exposição controlada ao sol sem filtro solar em nos horários mais adequados — antes das 10 horas e depois das 16 horas — para que o corpo fabrique a dose necessária de vitamina D. Sob os raios ultravioleta B do sol o corpo transforma uma fração do colesterol na substância que dará origem à vitamina D no organismo. Já a Academia Americana de Dermatologia recomenda que as pessoas não abram mão do filtro solar e discutam com o médico a obtenção da vitamina D por meio de suplementos vitamínicos ou alimentos com o médico.

8 – O excesso de vitamina D também é prejudicial?
O limite máximo de vitamina D no sangue é de 100 ng/ml. Em dose excessiva, a vitamina D pode provocar enjôo, prisão de ventre, desidratação e elevação da quantidade de cálcio, aumentando a pressão arterial e facilitando a ocorrência de pedras nos rins.

9 – Os obesos tem menores quantidades do nutriente?
Há um consenso científico sobre isso. Quanto mais obesa a pessoa é, menos vitamina D ela apresenta. A medicina ainda não sabe as razões do fenômeno. Discute-se que a gordura tenha um efeito diluidor da vitamina D.

10 – Como deve ser feita a reposição?
Nos Estados Unidos, a recomendação para crianças até 18 meses é 400 UI (unidade de medida para quantidade de vitamina) e 600 UI para as mais velhas. Segundo especialistas independentes que assessoram o governo americano, adultos com até 70 anos devem tomar 600 UI (unidade de medida para quantidade de vitaminas) e 800 UI diariamente apos essa faixa etária. A recomendação vigente para adultos é de 400 UI e 600 UI, respectivamente. Entretanto, as quantidades variam a cada paciente. Dependendo do caso, a dosagem que pode chegar a 10 000 UI ao dia, desde que monitorada por meio de dosagens sanguíneas.

TIREOIDITE PÓS-PARTO

1 – Por que muitas mulheres apresentam problemas de tireoide após o parto?
Durante a gestação, o sistema imunitário da mulher reduz sua agressividade ao mínimo para não produzir anticorpos contra o feto. Após o parto, essas defesas se recompõem e passam a atuar com maior intensidade por um período. Em média,a partir das dez semanas seguintes ao parto, existe um risco maior de que o organismo deixa de reconhecer a glândula tireoide como parte do corpo. Em tais circunstâncias, o sistema de defesa produz anticorpos contra a tireoide, levando à uma inflamação conhecida por tireoidite pós-parto.

2 – Quais são os sintomas mais comuns?
Em geral, pode haver um aumento do volume da tireoide e excesso ou baixa dos hormônios tireóideos no sangue. Pode haver também cansaço ou agitação em excesso, dificuldade para dormir, irritação. As pesquisas sugerem que o problema pode estar associado ao aparecimento e agravamento dos sintomas da depressão pós-parto. Por isso é importante verificar a atividade da tireoide se a mulher apresenta algum desses sinais.

3 – Quantas mulheres são atingidas pela doença?
As estimativas internacionais sugerem que o problema pode atingir cerca de 7,5 a 26,6% das parturientes. Mas um estudo que realizei de 1990 a 1999 revelou que no Brasil esse índice pode chegar a 13,3% das mulheres até um ano após o parto.

4 – A tireoidite pós-parto pode levar ao hipo ou hipertireoidismo?
Sim. É mais comum a mulher manifestar o hipertireoidismo (a tireoide funciona em ritmo mais acelerado) nos três meses seguintes ao parto. Depois, o quadro pode evoluir para o hipotireoidismo (atividade lenta da tireoide). Cerca de 25% das mulheres apresentam primeiro quadro de hipertireoidismo, que será ou não seguido de hipotireoidismo. Isso quer dizer que em um primeiro momento a tireoide funcionará demais e depois passará a produzir mais lentamente. É neste grupo que a alteração tende a se transformar em uma doença crônica.

5 – A redução da imunidade na gestação deixa a mulher vulnerável a outras doenças?
A redução da imunidade permite que a gestante fique mais vulnerável a infecções bacterianas e virais, como a gripe. Quem pensa em engravidar deve consultar um médico para atualizar sua carteira de vacinação.

6 – Quando a imunidade volta ao normal, o risco de tireoidite diminui?
Não. Como há um recrudescimento da batalha contra agentes estranhos ao organismo, costuma ser um período transitório em que praticamente todas as doenças autoimunes, como o lúpus, artrite reumatoide, vitiligo, diabetes tipo 1, tendem a piorar.O mesmo se aplica à tireoidite.

7 – A tireoidite pós-parto tem cura?
A maioria das mulheres se recupera completamente da tireoidite pós-parto em menos de um ano. No entanto, entre 40% e 50% das pacientes podem evoluir para tireoidite crônica.

8 – Os médicos sabem diagnosticar a tireoidite pós-parto?
Infelizmente, nem todos sabem. Um dos problemas é não valorizar devidamente queixas de estresse, irritação excessiva, ataques de choro, ansiedade e insônia…Muitos médicos entendem que essas alterações podem estar associadas à mudança de rotina trazida pela chegada da criança. Mas essa é uma visão romântica que a ciência está fazendo desmoronar. Na minha opinião, baseada em estudos e na prática clínica, todas as mulheres devem ser examinadas logo após o pós-parto. Elas devem fazer exames para dosar hormônios tireoideos como o T4 livre, TSH e os anticorpos tireoideos. Se forem positivos, os testes precisam ser repetidos em seis meses.

9 – Como é o tratamento?
Se a mulher tem sintomas intensos no pós-parto, em geral os endocrinologistas receitam medicamentos betabloqueadores para controlar manifestações como a taquicardia, a ansiedade e os tremores. Essa é a conduta para esperar que a fase de hiperfuncionamento da tireoide, o hipertireoidismo, termine. Antes, esse tipo de acompanhamento não era feito. O uso do selênio melhora muito a evolução.

10 – Diabéticas têm maiores riscos?
Nos Estados Unidos, o risco de ter tireoidite pós-parto para mulheres saudáveis é de 8%. Já para as que têm diabetes tipo 1, há uma elevação para 25% de risco. No Canadá, também se eleva de algo em torno de 6% para os mesmos 25%. Na Holanda, de 5% vai para 15%. O motivo desse aumento é que essas mulheres já possuem um descontrole imunológico que as deixa mais vulneráveis à tireoidite pós-parto.

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