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Eliminar totalmente os carboidratos pode atrapalhar o emagrecimento

Você está pensando em reduzir os carboidratos para emagrecer? Se sim, leia antes estas informações. É que simplesmente riscar esse nutriente da alimentação diária não só não faz bem ao organismo como pode, na verdade, prejudicar a perda de peso.

Como o carboidrato é o principal fornecedor de energia do corpo, quando seu consumo cai, ele passa a utilizar a gordura como fonte, e é daí que vem a fama emagrecedora que o corte tem. E com razão, vale dizer: é normal limitar o consumo dele nas dietas, mas isso deve ser feito sempre com acompanhamento profissional e nunca de maneira radical.

“Esse processo faz perder peso, mas o efeito da restrição exagerada não é duradouro”, explica Rosana Radominski, vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). Isso porque há um mecanismo chamado rebote: o organismo se ressente da falta e provoca ataques compulsivos que fazem a pessoa comer mais nas próximas oportunidades.

E, mesmo durante a dieta, o nutriente pode fazer falta e acabar emperrando o ponteiro da balança. “Ao diminuir demais o consumo, a pessoa fica com mais fome”, aponta Radominski. Sem contar que, sem sua fonte principal de energia, tendemos a nos regular para precisar menos dela.

“Daí, como em outras restrições, pode haver uma redução da taxa metabólica que compromete o emagrecimento”, aponta Deborah Masquio, nutricionista pesquisadora do Grupo de Estudos da Obesidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo ). Essa taxa é a quantidade de energia que seu corpo precisa para cumprir funções vitais em repouso. Se ela diminui por ter menos combustível, o emagrecimento pode ser prejudicado pois o organismo usará menos calorias ingeridas.

Mas e a low-carb?

As pessoas até conseguem emagrecer com ela, que prevê uma ingestão de algo entre 20 e 40% de calorias provenientes de carboidratos ao dia. Segundo  a OMS (Organização Mundial de Saúde), em um cardápio padrão, o ideal é que o consumo fique entre 55 a 75% –embora não haja um consenso universal sobre o assunto.

Mas é preciso fazer uma série de ressalvas aqui. Primeiro, que o low-carb (ou poucos carboidratos, em tradução livre do inglês), deve vir acompanhado de escolhas mais saudáveis e equilíbrio na mesa. Ora, de nada adianta riscar o pão branco e comer muita gordura, por exemplo.

“Fora que as pessoas associam a perda de peso apenas à retirada do carboidrato, mas a restrição calórica e a redução do excesso já interferem neste processo”, pondera Masquio. Ou seja: restringir outros nutrientes recheados de calorias, como a gordura e o álcool também costuma dar resultado. Não é só a culpa do carbo.

Já a dieta cetogênica, que corta os carboidratos em níveis ainda mais drásticos, é desaconselhada pelos especialistas, salvo em situações excepcionais. “Pode haver efeitos colaterais, como perda de produtividade, tontura e dor de cabeça e, a longo prazo, a produção de corpos cetônicos em excesso”, comenta a nutricionista.

Essas substâncias são produzidas normalmente, mas, quando sobram, podem ser prejudiciais ao organismo. Diminuir alguns nutrientes por conta própria também aumenta o risco de ter deficiências de vitaminas e minerais.

Carboidratos simples vs. complexos

Os carboidratos são divididos nessas duas categorias. Está aí um dos motivos de confusão. “O que devemos, sim, reduzir o consumo é o simples, proveniente dos doces, massas brancas e açúcar de mesa, e não os carboidratos no geral”, explica Masquio.

Para perder peso ou não ganhar, o consumo destes não deve ultrapassar 10% das calorias que comemos ao dia. Ou seja: em uma dieta de 2.000 kcal, apenas 200 devem vir do grupo, que também inclui pão francês, arroz branco e macarrão tradicional.

Já os complexos, provenientes dos grãos integrais, são até benéficos na redução das medidas. É que eles são fontes de fibras, nutrientes que promovem uma saciedade mais duradoura, pois são digeridos de forma mais lenta pelo nosso organismo. Invista neles –e em um prato bem variado– para manter a saúde e o peso em dia.

. Exemplos de carboidratos simples: glicose, frutose, sacarose e lactose são os carboidratos simples mais encontrados nos alimentos. Como exemplo temos açúcar de mesa, mel, açúcar do leite e das frutas, garapa, rapadura, balas, chicletes, doces em geral, refrigerantes, pães e massas feito com farinha refinada, entre outros.

. Exemplos de carboidratos complexo: cereais e derivados, como arroz, trigo, centeio, cevada, milho, aveia, massas e pães (integrais), batata-doce, batata, inhame, cará, mandioca, mandioquinha, feijões, ervilha, lentilha, grão-de-bico, soja, entre outros.

 

Fontes: Maria Fernanda Barca, endocrinologista membro da SBEM, e o “Manual de Nutrição” da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) também foram consultados pela reportagem.

 

Acesse o link do Portal da Revista Saúde: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/14/eliminar-totalmente-os-carboidratos-pode-atrapalhar-o-emagrecimento.htm

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